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Para combater a crise brasileira é preciso enfrentar a política econômica interna, diz economista

Os efeitos da crise mundial na economia brasileira foi tema de palestra ministrada, ontem (24/6), pelo economista Dércio Munhoz. O evento organizado pelo Corecon/DF, no Espaço do Economista, reuniu economistas, conselheiros e estudantes – todos interessados em debater os efeitos da crise no Brasil.

Na mesa: da esquerda para a direita o presidente do Corecon/DF, josé Luiz Pagnussat, o economista Dércio Munhoz e o presidente do Fenecon, Edson Roffé.

Segundo o economista, o setor mais afetado são as exportações, queda de 20% a.a. Outros problemas causados pela crise econômica e que atinge a economia brasileira, de acordo com o economista, são: dificuldades na renovação da linha de financiamento externo e de recursos externos no setor real da economia, a queda no emprego e na demanda interna e externa.



Dércio Munhoz falou também das perspectivas da economia mundial, e informou que possivelmente a economia americana terá uma queda de 2,5% neste ano; a China um crescimento garantido de 7,5% e as economias européias terão uma queda de 4%.

O economista finalizou sua palestra dizendo que para combater a crise é preciso enfrentar no Brasil duas questões: a econômica e a de política econômica interna.

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Modelo econômico brasileiro é criticado em palestra na UnB

O economista João Paulo de Almeida Magalhães fez críticas ao atual modelo econômico brasileiro na palestra “O que fazer depois da crise? Uma contribuição do modelo keynesiano”, que aconteceu hoje na Universidade de Brasília (UnB). O evento foi organizado pelo Conselho Regional de Economia do Distrito Federal (Corecon-DF) em parceria com o Centro Acadêmico de Economia da UnB (Caeco).



Ex-Professor da UFRJ, assessor do presidente Jânio Quadros e doutor em Economia pela Universidade de Paris (Pantheon-Sorbonne), João Paulo enfatizou que considera um equívoco a preocupação do Governo em manter a inflação baixa. “É possível promover desenvolvimento econômico com uma inflação controlada, mas não se deve atribuir valor absoluto à inflação”, disse.

O índice de desenvolvimento brasileiro também foi alvo de críticas do palestrante. “Se o Brasil continuar crescendo a 5% ao ano vai levar cerca de 100 anos para atingir o nível de um país desenvolvido”, estimou. O economista chamou atenção também para as diferenças entre o crescimento clássico e o crescimento retardatário. “Nos países de crescimento clássico, a Revolução Industrial proporcionou o surgimento de tecnologias em constante avanço. Ao levar essa idéia para os países subdesenvolvidos, não se levou em conta o crescimento retardatário”, avaliou. “As tecnologias dos países desenvolvidos não são adaptadas à realidade dos subdesenvolvidos. E há ainda a diferença em relação ao mercado: se nos países desenvolvidos a oferta cria demanda, nos subdesenvolvidos a demanda cria oferta”, acrescentou.



O diretor de assuntos acadêmicos do Caeco e acadêmico do quarto semestre de Economia na UnB, André Victor, destacou a contextualização histórica feita pelo palestrante. “A fala dele tem uma sustentação não só de teoria, mas também de história econômica. E é interessante que ele focou para a questão da dificuldade de crescimento do Brasil no nível dos países desenvolvidos, com a política econômica atual”, afirmou.

O assunto abordado na palestra é também tema do livro mais recente de João Paulo de Almeida Magalhães, publicado pela Editora Contexto.

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